Jornalismo e Inteligência Artificial
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Não há sector de actividade ou âmbito de actuação que pareça ser capaz de escapar da Inteligência Artificial (IA). E os meios de comunicação não são excepção. Segundo o relatório “New powers, new responsibilities. A global survey of journalism and artificial intelligence” , os 116 jornalistas que responderam ao inquérito pertencentes a 71 grupos de notícias (incluindo imprensa, agências noticiosas e estações de rádio e televisão) de 32 países (entre eles Portugal) acreditam firmemente que a IA está aí para os tornar mais eficientes e para aumentar a capacidade de fazer duas coisas chave:
Libertar os jornalistas para que possam trabalhar na criação de um melhor jornalismo num momento em que a indústria da informação luta pela sustentabilidade económica e pela confiança.
Ajudar o público a enfrentar a sobrecarga de notícias e desinformação, e conectá-los de uma forma correcta com conteúdos credíveis, relevantes e úteis para as suas vidas.
Para fazer isto, as organizações têm de reinventar-se (uma vez mais). Necessitam de adoptar a IA, alterar os seus fluxos de trabalho, sistemas e também as suas políticas de contratação. As redacções, por seu lado, deveriam realizar investimentos sérios para atrair as competências, o conhecimento e a inovação que o jornalismo necessita para optimizar as oportunidades da IA.
Isto requer uma mudança de pensamento de uma indústria que foi sempre ultra competitiva. Exige flexibilidade e planificação a longo prazo, que pode ir contra as prioridades do ciclo de notícias e as pressões do mercado.
Os meios de comunicação necessitam de um enfoque sólido. A AI oferece uma variedade de ferramentas para que o jornalismo possa ser uma fonte de análise crítica e independente, bem como um fórum para o debate público diverso e relevante.
No prefácio do estudo, o Professor Charlie Beckett, da London School of Economics, afirma: “Não, os robôs não vão assumir o jornalismo. Sim, as máquinas em breve poderão realizar grande parte do trabalho rotineiro do jornalismo. Mas o potencial da inteligência artificial (IA), machine learning e processamento de dados é dar aos jornalistas novos poderes de descoberta, criação e conexão.” E acrescenta: “Os algoritmos irão alimentar os sistemas. Mas o toque humano - o discernimento e o julgamento do jornalista – continuará fundamental. Será que a indústria de notícias irá aproveitar esta oportunidade?”
Não há dúvida de que a indústria da informação, com ou sem IA, está a mudar e deverá fazê-lo ainda mais se não quer ser engolida por fake news e pseudo criadores de opinião que nada têm a ver com o trabalho jornalístico.
Juana Pulido, Asociada en Estudio de Comunicación España e Marta Mimoso, Directora Geral do Estúdio de Comunicação