Podcast para as empresas?
A criação de conteúdos ocupa uma percentagem cada vez maior dos esforços realizados pelas empresas e instituições que não querem ficar submersos no oceano da rede onde todos lutam por captar a atenção dos seus públicos e dos seus consumidores. São muitas as vantagens de estar presentes nas diferentes plataformas digitais que nos oferece o mundo online, mas é necessário conhecer quais as opções mais adequadas ou que melhor se ajustam aos interesses de comunicação e imagem.
É neste contexto que devemos considerar um formato ainda pouco explorado pelas empresas e que poderá abrir a porta a inúmeras oportunidades: o podcast.
O que é um podcast? É um programa de áudio similar aos de rádio, mas independente das emissões das diferentes estações. São gravados em formato digital, de forma simples (basta ter um microfone) e carregados para uma plataforma global como a da Apple ou o Spotify, que depois os disponibiliza gratuitamente.
O consumo de podcasts disparou 25 por cento durante a primeira metade de 2020, muito devido ao confinamento. Contudo, os podcasts já tinham visto crescer os seus conteúdos nos últimos anos graças à melhoria da acessibilidade para os utilizadores com a sua integração em plataformas populares como o Spotify, que investiu 500 milhões de dólares destinados unicamente à criação de podcasts.
Então, serão os podcasts um bom formato digital para as empresas?
Com a velocidade da transformação digital e o distanciamento entre gerações, cada vez é mais complicado construir as pontes adequadas para não nos desligarmos dos nossos públicos alvo. Uma boa forma de aproximar a nossa marca ou a nossa empresa, a sua cultura, a sua missão e os seus valores aos públicos alvo é fazê-lo ativamente desde a escuta e o entendimento, escolhendo os canais mais adequados para uma ação de comunicação concreta. Neste sentido, as redes sociais são as rainhas, mas nem sempre são suficientes, dependendo do tipo de empresa, instituição ou produto. Tendo em conta que está demonstrado que a rádio é o meio mais fiável para as audiências e que é o formato mais adaptável às crises, uma vez que é entendido como o mais credível, os podcasts poderão ser uma ferramenta muito útil, já que herdaram as suas características.
De facto, a tendência atual é que o podcast seja uma boa maneira de consumir conteúdos, pois os diferentes públicos procuram cada vez mais formas fáceis, rápidas e cómodas de aceder aos conteúdos. Os podcasts podem ser ouvidos sem hora nem lugar marcado, estão sempre à mão no nosso smartphone.
A par da mobilidade e portabilidade, a variedade é outro dos atrativos: os podcasts permitem o desenvolvimento de uma imensa variedade de formatos e de temas, levando a mensagem tanto a nichos específicos como a públicos mais alargados. Não se trata de um meio de massas, cada um pode ouvir o que quer, de forma personalizada, onde e quando quiser.
Em Portugal, o crescimento dos podcasts tem sido exponencial: há muitas figuras públicas que os utilizam como complemento à sua presença nas redes sociais, humanizando ainda mais as suas exposições - existem no final de 2020 cerca de 300 podcasts independentes (sem estarem associados a estações de rádio) ativos em Portugal.
Segundo o mais recente report do Hootsuite e We Are Social sobre a utilização do meio online em Portugal, os 8.52 milhões de utilizadores de internet passam, em média, mais de 6 horas por dia online. Destes, 28%, entre os 16 e 64 anos, ouvem podcasts, ou seja, mais de 2.2 milhões de portugueses já ouvem podcasts regularmente.
Podemos concluir, assim, que este tipo de conteúdos constituem uma oportunidade para as empresas e as marcas se aproximarem dos seus públicos alvo. E verificamos que muitas já o estão a fazer: o Banco de Portugal lançou em outubro o BdP Podcast, com o objetivo de dar a conhecer as suas atividades e abordar temas que possam ser úteis no dia-a-dia dos cidadãos; a Ryanair também lançou um novo podcast em outubro, o Inside Ryanair, dedicado aos negócios e à aviação e através do qual é possível ficar a saber mais sobre o funcionamento interno da companhia aérea ou como é que a transportadora de baixo custo consegue vender viagens por menos de 10 euros; a marca Durex tem Filomena Cautela como apresentadora do podcast “Durex Íntima; em junho passado, foi a vez de Greta Thunberg lançar um podcast sobre a crise climática, onde conta as suas experiências e encontros com líderes mundiais; e em julho Michele Obama estreou o seu primeiro podcast, The Michelle Obama Podcast, com conversas com amigos, familiares e colegas.
As empresas e instituições, devem, pois, considerar integrar este formato nos seus planos estratégicos de comunicação digital, de forma a enriquecer os seus conteúdos online com mensagens autênticas, úteis e de qualidade, o que lhes permite ganhar um maior destaque nos motores de busca e chegar a cada vez mais públicos.