Querem matar o CEO?
Para desenhar uma casa contrata-se um arquitecto. Construir uma ponte? Chama-se um engenheiro. Para tratar um dente, obviamente vamos ao dentista. E quando o carro pára no meio da estrada, imploramos por um mecânico A especialidade garante a qualidade. O profissionalismo. É assim em quase todas as profissões e deveria ser assim quando falamos de comunicação. Mas não é.
Se há tema é que todos têm uma opinião, uma ideia, uma solução – sem contar com o futebol, claro - é a comunicação. Parece fácil, afinal é só arranjar umas entrevistas nos jornais para o CEO e enviar uns mails internos aos seus colaboradores, com umas frases mais ou menos inspiradoras…
Quem assim pensa ainda não chegou ao século XXI. Um plano estratégico de comunicação é tão fundamental para a boa gestão de uma empresa como o departamento Contabilidade, Inovação ou de Recursos Humanos. Uma empresa que não aposta na profissionalização das diferentes vertentes da comunicação - corporativa, interna, de crise – dificilmente vai conseguir crescer e liderar.
Uma entrevista “ad hoc” nos jornais, sem qualquer estratégia global pode “matar” um CEO. Não há nada mais perigoso do que querer aparecer só porque sim. A banalização da imagem e da mensagem é terrível para a reputação. E os danos dessa acção pouco pensada podem ser fatais para a empresa.
E acreditem, depois destes meses de pandemia, se enviarem aos colaboradores mais uma frase inspiradora tipo “os importante são as pessoas” correm o risco de eles acharem que está na hora de ir procurar um novo emprego…
Não há fórmulas mágicas na comunicação. E aqui vai um “lugar-comum”: cada caso é um caso. O que os especialistas em comunicação fazem é olhar para cada um e desenhar um plano à medida. Como um arquitecto. Ou um engenheiro.